terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Saga Renegades of Gangue Microtour Sergipana

Aracaju – Sergipe | Itabaiana - Sergipe
Terça-feira, 24 de fevereiro a sábado, 28 de fevereiro
22° ao 26° | Dia
Amanhecer sentindo o clima de praia atrevendo-se em sua pele e o distante som das ondas é uma dádiva. E junto do brilho da manhã chega o meu parceiro repentista Yuri Prece Cósmica, junto de Aquino Rex e sua parceira. Kibe para alimentar os neurônios e mais rabiscos em concursos de desenhos, dessa vez o mais erótico e é claro que me dei super mal. Só funciono para desenhar monstros ou seres humanos monstruosos. Ivo com seu sombreado Cachorronês detonou e levou o troféu de kibe para a pança.

Rec-repet! Rec-repet! Rec-repet! Rec-repet! Até todos dormirem e então todos acordam com mais Rec-repet! Provavelmente o hit do verão Aracaju 2009.

Insônia e digestão de muitas películas de dia e de noite.

Os moleques naquela árvore queriam mesmo se arrebentar. Praça escura e ratos correndo e um garoto de castigo tinha seu pé golpeado por um pedaço de madeira, mas descontentamento maior do que o dele foi o nosso ao receber a notícia de que Farofa não iria receber licença da loja de perfumes e conseqüentemente representaria desfalque nos shows que já haviam sido marcados.
“Saga Renegades of Gangue Microtour Sergipana” a todo vapor e Ivo Renegade seria nosso baterista nessa formação itinerante. Um incrível entrosamento musical e em três ensaios fechamos um repertório sequinho com onze músicas, o suficiente para uma saborosa apresentação.

Em um ônibus branco de tinta colorida cruzamos algumas léguas para encontrar Maicon Stoogie e rockeiros distantes de qualquer conserto em Itabaiana. Adelvan, roqueiro profissional e locutor do Programa de Rock da rádio Aperipê FM fez um relato sobre essa passagem relâmpago da Gangue por Sergipe e sobre os shows: http://pdrock-sergipe.blogspot.com/



Fim do mês de fevereiro, primeiro mês longe do caminho preparado para nossas vidas, seguindo uma trilha sem fim definido e rodeado de pessoas queridas em lugares incríveis.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Noites na Aruana

Aracaju – Sergipe
Sábado, 21 de fevereiro a segunda-feira, 23 de fevereiro

19° ao 21° | Dia
Domingo de verão e uma manhâ de sol radiante estava prontinha, esperando por nós lá fora e Ingrid, Ivo, Dani e eu nos locomovemos até o terminal rodoviário numa outra extremidade da cidade para catar Ubiratan, um catarinense loucão que dali em diante estava pronto para passar alguns dias conosco. Diretamente do continente em Florianópolis para piscina azul anil no Distrito Industrial. A folga não durou e o dia de Cineveggie que tanto nos guardava ansiedade nos encheu de brilho nos olhos e muita cebola e temperos inesquecíveis ao nosso paladar. A película exibida foi “Antes que o diabo saiba que você está morto”. E depois peregrinamos em quatro e duas rodas para a Aruana e era o início da era praia no estado de Sergipe.

Dias e noites viradas em carteado, concursos de desenho, racionamento de água, jams sessions e improvidos sobre o Popoto, o Felino Assassino e causos e acontecimentos desastrosos acontecidos com aqueles que a li se encontravam. A morte da galinha, Breno e o Jumento, Pedro e o Sereio e casamentos pecaminosos que apenas os que escutaram as profanas canções poderiam ter a audácia de imaginar.

Meio da semana, o mundo funcionava, a cidade corria, Joe Strummer cantava e era noite, embebidos no mar da Aruana perpetuávamos o ciclo das ondas e daquelas noites no paraíso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ondas de rádio

Aracaju – Sergipe
18° | Dia
Sábado de resolução de problemas, canelas percorrendo o centro. Era um dia definitivo para o Mahatma Gangue, dedos gastos em bancos para depositar cédulas de dinheiro a fim de garantir a vinda de Farofa, comprar camisetas limpas para sujar de tinta e comprar plásticos para revestir CDs.

Missão um, realizada e fomos para o Feelings Studio, que funciona no quarto do simpático e malhado Alex Ovelhinha, o bombeiro, engenheiro de som e atleta. A mixagem foi simples, a maioria das brechas haviam sido fechadas pelo talentoso Alex, só tivemos que colocar um pouco de som de brisa marítima, a guitarra distorcida e nossos gritos já estavam no ponto.

Tarde de banho e noite de macaxeira e entrevista do Mahatma Gangue na Rádio Aperipê com o roqueiro profissional Adelvan, que de tão antenado que é sabia inclusive das tempestades de areia que assolam Mossoró.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Acarajé só de Candomblé

Aracaju – Sergipe

17º | Dia

Com determinação e levando o relógio dessa vez mais a sério fomos à sorveteria Bomboniere e dessa vez sim, enchemos o intervalo entre nossos dentes de fiapos de manga. A cauda de floresta negra requintou mais aquele alimento gelado. Nada mais justo do que rechear a quente tarde aracajuense com bolas de sorvete.

Mais caminhadas pelo Inácio Barbosa e fico com Ingrid em uma lan house e acontece um fato desagradável, Ingrid peida e disfarça e todos no recinto olham para mim, o grandalhão de barba e tatuagens, é claro que foi ele. Peidão! Preconceito estético.


Um real depositado naquela máquina que era a maneira mais econômica de me comunicar com Farofa, precisava saber que dia ele chegaria a Aracaju para passar alguns dias conosco e fazermos dois shows ao lado dos Renegades of Punk.


E apressados como nossas vidas saímos de lá para a casa de Ivo onde a máquina de lavar roupas iria nos prestar algum serviço. Até o fim da tarde e aquela casa não tinha nem meio metro de cabide sobrando, ocupamos todos os espaços com nossos trapos surrados há dias.


Terminado o serviço, Ingrid, Ivo e eu encaramos o trajeto Inácio Barbosa – Cirurgia a pé e brindamos o início daquela noite com mochila nas costas e seguindo direção Praça da Bandeira. Metade do caminho e fomos ao Acarajé do Memeu e nos enchemos de dendê. Curiosidade sobre o Acarajé do Memeu é que esse alter ego comercial está sendo dado por mim que ouço de meus amigos, mas na verdade Memeu não vende acarajé e sim Bolinhos de Jesus. Trata-se de uma polêmica iniciada no estado da Bahia onde os cristãos evangélicos (crentes) propagaram a idéia de rebatizar o acarajé para Bolinho de Jesus. Essa atitute foi bastante contestada pelas baianas do acarajé que querem impedir que pessoas de outras religiões venham a se apropriar de uma cultura gastronômica que é delas. Originado nos terreiros de candomblé, o acarajé é um bolinho de feijão apimentado. Por ser uma oferenda à Iansã, e só os filhos de santo podem preparar o alimento sagrado.


Continuamos a caminhada rumo a casa de Dani e Persépolis foi o desfecho de uma sexta de início gelado e final quente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Travessias submarinas

Aracaju - Sergipe

16º | Dia

No dia anterior havíamos conseguido alguns tickets piscina na casa do Sílvio e não podíamos desperdiçar essa sorte que o destino nos oferecia. Então Foi apenas abrir os olhos nessa quarta-feira e pegamos nossos trajes de banho e nos preparamos para termos nossos corpos submergidos em água. Verão em Aracaju e o sol não decepcionava. Caminhada sob terra quente, de sombra em sombra, de prédios em prédios cruzamos aquelas vielas com cloro e água na cabeça.


Cerca de trinta minutos de passadas nervosas e fomos recebidos pelo alto, magro e simpático Sílvio em sua residência montada com muito bom gosto. Subimos alguns degraus e não pensei muito antes de despir-me parcialmente e derramar bloqueador solar sobre meu corpo. Minhas parceiras demoraram um pouquinho mais, só que pouquinho mesmo e logo estavam elas passando aquela meleca protetora sobre suas peles. Então nos esbaldamos, o resposta direta para o calor é banho e piscina era algo que não tínhamos há tempos. De olho na cerâmica e com a cabeça na água, de braçadas em braçadas até o coração saltar de tanto palpitar. Sílvio demorou, mas nos deu o prazer de sua companhia e nadamos. Zoação com papo de sereio e travessias submarinas sem respirar. Ivo chega e continua a zoação com o papo de sereio. Concurso de saltos e fotografias para a posteridade.


Encerradas as braçadas nos secamos sob o guarda-sol confabulando sobre trajes aquáticos e depois subimos ao apartamento de Sílvio. Comemos paçoquinhas que era a prévia para o almoço. Não fomos nada econômicos nas gafadas e mais uma vez bocas submersas em muito tempero sergipano.


Pressa havia se tornado nosso nome, pois a missão de divulgara festa punk rock na praia não havia sido cumprida por inteiro. Então voltamos ao templo arcaico de consumo, ao centro comercial. . Algumas voltas pelo centro de loja em loja de rock, skate, e de artigo para pessoas de costumes excêntricos.

Esbarramos com o Balde, simpático body piercer e fotógrafo de Aracaju e fomos numa fotocopiadora xerocar mais cinquenta capinhas do Mahatma Gangue.

E o reencontro agradável com cabeças e almofadas na casa de Dani nos levou a lona outra vez.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cheiro de cidade grande

Aracaju - Sergipe

15° | Dia

Banquete no Recanto das Rodrigues, muitas cores e cenouras como aperitivo, nossas bocas sempre bem temperadas. Dentro de alguns dias haverá o show dos Renegades of Punk com as Jezebels e Mahatma Gangue e a divulgação precisava ser feita. No centro de Aracaju compramos papeis vermelhos para fazer as capinhas do cd do Mahatma Gangue e deixamos aquele centro comercial repleto de pessoas se trombando. Estar em um lugar como esses, é sentir-se deslocado e ao mesmo tempo em casa. Aquelas enormes placas luminosas com logomarcas iguais e cheias de cores, atrativos e câmeras te vigiando. Apelos comerciais e propagandas sedutoras, mais espaço para carro do que para pessoas, muito barulho de motor e nenhuma visão de horizonte. Os centros comerciais das grandes cidades parecem ser os mesmos. Globalização e a ditadura da padronização estética e comportamental.


“cheiro de cidade grande me apavora, cinza e preto ofusca meus olhos...”


Torpedos para o mundo todo e a rede mundial de comunicação foi tomada pelos disparos de Daniela divulgando a noite de punk rock na praia que todos aguardavam. Essa foi a madrugada na pacata Aracaju.


E dormiremos sob o teto do quarto de Daniela Rodrigues com as cabeças sobre muitas almofadas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Chamado da Bomboniere

Aracaju - Sergipe
14° | Dia
Outra manhâ em Aracaju, dessa vez seria diferente iríamos nos aventurar pelas ruas quentes sozinhos, Ivo tinha muitos ofícios gritando em suas costas então ele precisava os calar e eu e Ingrid teriamos que sair do Inácio Barbosa e adentrar no Bairro Cirurgia e localizar o Porto da Folha, onde vive DaniHella e sua Márcima Mãe. Caminhada de sete minutos ao Terminal do Distrido Industrial e subimos no baú com rodas indicado por Ivo. Ônibus Hora do Rush, muito cheiro de suor e transporte público e um hippie endredado com seqüelas mentais avançadas conversava com seres do além e se esbarrava naquelas pessoas que ali se encontravam. Alguns minutos de distração e um rapaz bondoso nos indica a Praça da Bandeira, que seria a nossa parada. A Praça da Bandeira situada no Bairro Cirurgia em Aracaju possui árvores enormes e algumas banquinhas de revistas e seus banquinhos são de pedra e possuem pinturas de marca de refrigerante. Sob aquelas copas enormes e um sol de rachar os lábios errei a direção, ainda havia confusão enquanto qual o sentido levava ao Porto das Folhas. O ritmo frenético dos automóveis sobre o cruzamento de asfalto dificultava o raciocínio e andamos em círculos até Ingrid perder o humor e então pedimos ajuda do telefone público que entrou em contato com DaniHella que nos facilitou a direção.

E então com suor por todo o corpo chegamos à residência Rodrigues e fomos servidos com um banquete daqueles que Aracaju faz por você. Dificilmente um pós-almoço supera as ondas sonoras emitidas pelas caixas de som daquele quarto e então nos empanturramos de Husker Du sem citar o fenômeno francês Jordy. Bastante “wôcopinoma” e fomos passear pelo bairro. Daniela, Ingrid e eu, visitamos alguns amigos através da fibra ótica e da tela de vidro, mandamos recados em formato de caracteres e depois efetuamos uma pequena compra em mais uma vídeo-locadora falida. Bom estoque e precinho de banana. Com passos mais apressados nos dirigimos na direção contrária doRecanto das Rodrigues, iríamos assistir a um ensaio da Karne Krua, uma das mais antigas bandas punk de Sergipe, mas para creditar nosso desapego com os ponteiros mal andamos 50 metros e Ivo, baixista da banda já voltava do ensaio com sua bicicleta. Ensaio terminado e continuamos com os passos no nível dois, sentido Recanto das Rodrigues.

Sentamos, engolimos alguns sanduíches e suco de goiaba e esperamos Breno, o Cara Moreno. Em seu carro negro ele nos leva à Rua da Cultura. Todas as segundas feiras no Mercado Municipal de Aracaju acontece um evento que oferece uma opção de lazer a comunidade de forma gratuita, oferecendo acesso a teatro, música, dança, poesia, artes plásticas e outras manifestações artísticas e folclóricas. E um dos atrativos daquela noite era um paredão para as pessoas escalarem, entrei na fila com alguns garotos sem sandália e sujos de graxa e escalei aquela parede com pedras grudadas.

Do meio da penumbra surge Cachorrão e sua bicicleta para alegrar nossa noite e então ficamos soltando palavras ao vento sentados numa calçada repleta de baratas transeuntes. Algo curioso e quase inevitável é sempre que têm alguma meia dúzia de vegetarianos juntos o assunto sempre acaba em culinária e já faziam dias que imagens de sorvetes de Manga e Açaí martelavam nossos olhos. E abandonamos o âmbito do pensamento e deixamos a Rua da Cultura no automóvel negro de Brendom em direção a Bomboniere, sorveteria que o sorvete de Manga deixa até fiapos entre os dentes, essa era a promessa. Velocímetro ascendente, sinais vermelhos violados na madrugada, pouca vida na rua e demos de cara com portas de metal até o chão. Bomboniere fechada e o sorvete volta a habitar apenas o nosso pensamento guloso.


PLOF! PLOF! Eram os últimos sons que a colher de sorvete fazia antes que os olhos cerrassem.