segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Chamado da Bomboniere

Aracaju - Sergipe
14° | Dia
Outra manhâ em Aracaju, dessa vez seria diferente iríamos nos aventurar pelas ruas quentes sozinhos, Ivo tinha muitos ofícios gritando em suas costas então ele precisava os calar e eu e Ingrid teriamos que sair do Inácio Barbosa e adentrar no Bairro Cirurgia e localizar o Porto da Folha, onde vive DaniHella e sua Márcima Mãe. Caminhada de sete minutos ao Terminal do Distrido Industrial e subimos no baú com rodas indicado por Ivo. Ônibus Hora do Rush, muito cheiro de suor e transporte público e um hippie endredado com seqüelas mentais avançadas conversava com seres do além e se esbarrava naquelas pessoas que ali se encontravam. Alguns minutos de distração e um rapaz bondoso nos indica a Praça da Bandeira, que seria a nossa parada. A Praça da Bandeira situada no Bairro Cirurgia em Aracaju possui árvores enormes e algumas banquinhas de revistas e seus banquinhos são de pedra e possuem pinturas de marca de refrigerante. Sob aquelas copas enormes e um sol de rachar os lábios errei a direção, ainda havia confusão enquanto qual o sentido levava ao Porto das Folhas. O ritmo frenético dos automóveis sobre o cruzamento de asfalto dificultava o raciocínio e andamos em círculos até Ingrid perder o humor e então pedimos ajuda do telefone público que entrou em contato com DaniHella que nos facilitou a direção.

E então com suor por todo o corpo chegamos à residência Rodrigues e fomos servidos com um banquete daqueles que Aracaju faz por você. Dificilmente um pós-almoço supera as ondas sonoras emitidas pelas caixas de som daquele quarto e então nos empanturramos de Husker Du sem citar o fenômeno francês Jordy. Bastante “wôcopinoma” e fomos passear pelo bairro. Daniela, Ingrid e eu, visitamos alguns amigos através da fibra ótica e da tela de vidro, mandamos recados em formato de caracteres e depois efetuamos uma pequena compra em mais uma vídeo-locadora falida. Bom estoque e precinho de banana. Com passos mais apressados nos dirigimos na direção contrária doRecanto das Rodrigues, iríamos assistir a um ensaio da Karne Krua, uma das mais antigas bandas punk de Sergipe, mas para creditar nosso desapego com os ponteiros mal andamos 50 metros e Ivo, baixista da banda já voltava do ensaio com sua bicicleta. Ensaio terminado e continuamos com os passos no nível dois, sentido Recanto das Rodrigues.

Sentamos, engolimos alguns sanduíches e suco de goiaba e esperamos Breno, o Cara Moreno. Em seu carro negro ele nos leva à Rua da Cultura. Todas as segundas feiras no Mercado Municipal de Aracaju acontece um evento que oferece uma opção de lazer a comunidade de forma gratuita, oferecendo acesso a teatro, música, dança, poesia, artes plásticas e outras manifestações artísticas e folclóricas. E um dos atrativos daquela noite era um paredão para as pessoas escalarem, entrei na fila com alguns garotos sem sandália e sujos de graxa e escalei aquela parede com pedras grudadas.

Do meio da penumbra surge Cachorrão e sua bicicleta para alegrar nossa noite e então ficamos soltando palavras ao vento sentados numa calçada repleta de baratas transeuntes. Algo curioso e quase inevitável é sempre que têm alguma meia dúzia de vegetarianos juntos o assunto sempre acaba em culinária e já faziam dias que imagens de sorvetes de Manga e Açaí martelavam nossos olhos. E abandonamos o âmbito do pensamento e deixamos a Rua da Cultura no automóvel negro de Brendom em direção a Bomboniere, sorveteria que o sorvete de Manga deixa até fiapos entre os dentes, essa era a promessa. Velocímetro ascendente, sinais vermelhos violados na madrugada, pouca vida na rua e demos de cara com portas de metal até o chão. Bomboniere fechada e o sorvete volta a habitar apenas o nosso pensamento guloso.


PLOF! PLOF! Eram os últimos sons que a colher de sorvete fazia antes que os olhos cerrassem.

6 comentários:

Olga Alves disse...

final deprimente, mas colossal.

Carol disse...

Hahahahahahhahahahahhahahaha
Mas eh como se eu pudesse fechar os olhos e ver... Ingrid "sem humor"... reclamando.. hahahhahha e claro que se eu estivesse aí estaria com ela.. =D
e vc...(da equipe de pequeno)... "vai da tudo certo.."
=D

Carol disse...

Detalhe, em todas as cidades acho que tem uma "praça da bandeira"


Estou contando os dias... pra gente dá rolé de novo! =B

brendons disse...

o carro do meu pai é prata, pedro prado. =P

brendons disse...

e a belíssima carteira que eu fiz pra vc e pra ingrid? hehehe

Pedro Mendigo disse...

A minha eu sempre uso, já Ingrid... Levarei-a de volta, toda surrada, porém útil.