terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Saga Renegades of Gangue Microtour Sergipana

Aracaju – Sergipe | Itabaiana - Sergipe
Terça-feira, 24 de fevereiro a sábado, 28 de fevereiro
22° ao 26° | Dia
Amanhecer sentindo o clima de praia atrevendo-se em sua pele e o distante som das ondas é uma dádiva. E junto do brilho da manhã chega o meu parceiro repentista Yuri Prece Cósmica, junto de Aquino Rex e sua parceira. Kibe para alimentar os neurônios e mais rabiscos em concursos de desenhos, dessa vez o mais erótico e é claro que me dei super mal. Só funciono para desenhar monstros ou seres humanos monstruosos. Ivo com seu sombreado Cachorronês detonou e levou o troféu de kibe para a pança.

Rec-repet! Rec-repet! Rec-repet! Rec-repet! Até todos dormirem e então todos acordam com mais Rec-repet! Provavelmente o hit do verão Aracaju 2009.

Insônia e digestão de muitas películas de dia e de noite.

Os moleques naquela árvore queriam mesmo se arrebentar. Praça escura e ratos correndo e um garoto de castigo tinha seu pé golpeado por um pedaço de madeira, mas descontentamento maior do que o dele foi o nosso ao receber a notícia de que Farofa não iria receber licença da loja de perfumes e conseqüentemente representaria desfalque nos shows que já haviam sido marcados.
“Saga Renegades of Gangue Microtour Sergipana” a todo vapor e Ivo Renegade seria nosso baterista nessa formação itinerante. Um incrível entrosamento musical e em três ensaios fechamos um repertório sequinho com onze músicas, o suficiente para uma saborosa apresentação.

Em um ônibus branco de tinta colorida cruzamos algumas léguas para encontrar Maicon Stoogie e rockeiros distantes de qualquer conserto em Itabaiana. Adelvan, roqueiro profissional e locutor do Programa de Rock da rádio Aperipê FM fez um relato sobre essa passagem relâmpago da Gangue por Sergipe e sobre os shows: http://pdrock-sergipe.blogspot.com/



Fim do mês de fevereiro, primeiro mês longe do caminho preparado para nossas vidas, seguindo uma trilha sem fim definido e rodeado de pessoas queridas em lugares incríveis.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Noites na Aruana

Aracaju – Sergipe
Sábado, 21 de fevereiro a segunda-feira, 23 de fevereiro

19° ao 21° | Dia
Domingo de verão e uma manhâ de sol radiante estava prontinha, esperando por nós lá fora e Ingrid, Ivo, Dani e eu nos locomovemos até o terminal rodoviário numa outra extremidade da cidade para catar Ubiratan, um catarinense loucão que dali em diante estava pronto para passar alguns dias conosco. Diretamente do continente em Florianópolis para piscina azul anil no Distrito Industrial. A folga não durou e o dia de Cineveggie que tanto nos guardava ansiedade nos encheu de brilho nos olhos e muita cebola e temperos inesquecíveis ao nosso paladar. A película exibida foi “Antes que o diabo saiba que você está morto”. E depois peregrinamos em quatro e duas rodas para a Aruana e era o início da era praia no estado de Sergipe.

Dias e noites viradas em carteado, concursos de desenho, racionamento de água, jams sessions e improvidos sobre o Popoto, o Felino Assassino e causos e acontecimentos desastrosos acontecidos com aqueles que a li se encontravam. A morte da galinha, Breno e o Jumento, Pedro e o Sereio e casamentos pecaminosos que apenas os que escutaram as profanas canções poderiam ter a audácia de imaginar.

Meio da semana, o mundo funcionava, a cidade corria, Joe Strummer cantava e era noite, embebidos no mar da Aruana perpetuávamos o ciclo das ondas e daquelas noites no paraíso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ondas de rádio

Aracaju – Sergipe
18° | Dia
Sábado de resolução de problemas, canelas percorrendo o centro. Era um dia definitivo para o Mahatma Gangue, dedos gastos em bancos para depositar cédulas de dinheiro a fim de garantir a vinda de Farofa, comprar camisetas limpas para sujar de tinta e comprar plásticos para revestir CDs.

Missão um, realizada e fomos para o Feelings Studio, que funciona no quarto do simpático e malhado Alex Ovelhinha, o bombeiro, engenheiro de som e atleta. A mixagem foi simples, a maioria das brechas haviam sido fechadas pelo talentoso Alex, só tivemos que colocar um pouco de som de brisa marítima, a guitarra distorcida e nossos gritos já estavam no ponto.

Tarde de banho e noite de macaxeira e entrevista do Mahatma Gangue na Rádio Aperipê com o roqueiro profissional Adelvan, que de tão antenado que é sabia inclusive das tempestades de areia que assolam Mossoró.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Acarajé só de Candomblé

Aracaju – Sergipe

17º | Dia

Com determinação e levando o relógio dessa vez mais a sério fomos à sorveteria Bomboniere e dessa vez sim, enchemos o intervalo entre nossos dentes de fiapos de manga. A cauda de floresta negra requintou mais aquele alimento gelado. Nada mais justo do que rechear a quente tarde aracajuense com bolas de sorvete.

Mais caminhadas pelo Inácio Barbosa e fico com Ingrid em uma lan house e acontece um fato desagradável, Ingrid peida e disfarça e todos no recinto olham para mim, o grandalhão de barba e tatuagens, é claro que foi ele. Peidão! Preconceito estético.


Um real depositado naquela máquina que era a maneira mais econômica de me comunicar com Farofa, precisava saber que dia ele chegaria a Aracaju para passar alguns dias conosco e fazermos dois shows ao lado dos Renegades of Punk.


E apressados como nossas vidas saímos de lá para a casa de Ivo onde a máquina de lavar roupas iria nos prestar algum serviço. Até o fim da tarde e aquela casa não tinha nem meio metro de cabide sobrando, ocupamos todos os espaços com nossos trapos surrados há dias.


Terminado o serviço, Ingrid, Ivo e eu encaramos o trajeto Inácio Barbosa – Cirurgia a pé e brindamos o início daquela noite com mochila nas costas e seguindo direção Praça da Bandeira. Metade do caminho e fomos ao Acarajé do Memeu e nos enchemos de dendê. Curiosidade sobre o Acarajé do Memeu é que esse alter ego comercial está sendo dado por mim que ouço de meus amigos, mas na verdade Memeu não vende acarajé e sim Bolinhos de Jesus. Trata-se de uma polêmica iniciada no estado da Bahia onde os cristãos evangélicos (crentes) propagaram a idéia de rebatizar o acarajé para Bolinho de Jesus. Essa atitute foi bastante contestada pelas baianas do acarajé que querem impedir que pessoas de outras religiões venham a se apropriar de uma cultura gastronômica que é delas. Originado nos terreiros de candomblé, o acarajé é um bolinho de feijão apimentado. Por ser uma oferenda à Iansã, e só os filhos de santo podem preparar o alimento sagrado.


Continuamos a caminhada rumo a casa de Dani e Persépolis foi o desfecho de uma sexta de início gelado e final quente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Travessias submarinas

Aracaju - Sergipe

16º | Dia

No dia anterior havíamos conseguido alguns tickets piscina na casa do Sílvio e não podíamos desperdiçar essa sorte que o destino nos oferecia. Então Foi apenas abrir os olhos nessa quarta-feira e pegamos nossos trajes de banho e nos preparamos para termos nossos corpos submergidos em água. Verão em Aracaju e o sol não decepcionava. Caminhada sob terra quente, de sombra em sombra, de prédios em prédios cruzamos aquelas vielas com cloro e água na cabeça.


Cerca de trinta minutos de passadas nervosas e fomos recebidos pelo alto, magro e simpático Sílvio em sua residência montada com muito bom gosto. Subimos alguns degraus e não pensei muito antes de despir-me parcialmente e derramar bloqueador solar sobre meu corpo. Minhas parceiras demoraram um pouquinho mais, só que pouquinho mesmo e logo estavam elas passando aquela meleca protetora sobre suas peles. Então nos esbaldamos, o resposta direta para o calor é banho e piscina era algo que não tínhamos há tempos. De olho na cerâmica e com a cabeça na água, de braçadas em braçadas até o coração saltar de tanto palpitar. Sílvio demorou, mas nos deu o prazer de sua companhia e nadamos. Zoação com papo de sereio e travessias submarinas sem respirar. Ivo chega e continua a zoação com o papo de sereio. Concurso de saltos e fotografias para a posteridade.


Encerradas as braçadas nos secamos sob o guarda-sol confabulando sobre trajes aquáticos e depois subimos ao apartamento de Sílvio. Comemos paçoquinhas que era a prévia para o almoço. Não fomos nada econômicos nas gafadas e mais uma vez bocas submersas em muito tempero sergipano.


Pressa havia se tornado nosso nome, pois a missão de divulgara festa punk rock na praia não havia sido cumprida por inteiro. Então voltamos ao templo arcaico de consumo, ao centro comercial. . Algumas voltas pelo centro de loja em loja de rock, skate, e de artigo para pessoas de costumes excêntricos.

Esbarramos com o Balde, simpático body piercer e fotógrafo de Aracaju e fomos numa fotocopiadora xerocar mais cinquenta capinhas do Mahatma Gangue.

E o reencontro agradável com cabeças e almofadas na casa de Dani nos levou a lona outra vez.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cheiro de cidade grande

Aracaju - Sergipe

15° | Dia

Banquete no Recanto das Rodrigues, muitas cores e cenouras como aperitivo, nossas bocas sempre bem temperadas. Dentro de alguns dias haverá o show dos Renegades of Punk com as Jezebels e Mahatma Gangue e a divulgação precisava ser feita. No centro de Aracaju compramos papeis vermelhos para fazer as capinhas do cd do Mahatma Gangue e deixamos aquele centro comercial repleto de pessoas se trombando. Estar em um lugar como esses, é sentir-se deslocado e ao mesmo tempo em casa. Aquelas enormes placas luminosas com logomarcas iguais e cheias de cores, atrativos e câmeras te vigiando. Apelos comerciais e propagandas sedutoras, mais espaço para carro do que para pessoas, muito barulho de motor e nenhuma visão de horizonte. Os centros comerciais das grandes cidades parecem ser os mesmos. Globalização e a ditadura da padronização estética e comportamental.


“cheiro de cidade grande me apavora, cinza e preto ofusca meus olhos...”


Torpedos para o mundo todo e a rede mundial de comunicação foi tomada pelos disparos de Daniela divulgando a noite de punk rock na praia que todos aguardavam. Essa foi a madrugada na pacata Aracaju.


E dormiremos sob o teto do quarto de Daniela Rodrigues com as cabeças sobre muitas almofadas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Chamado da Bomboniere

Aracaju - Sergipe
14° | Dia
Outra manhâ em Aracaju, dessa vez seria diferente iríamos nos aventurar pelas ruas quentes sozinhos, Ivo tinha muitos ofícios gritando em suas costas então ele precisava os calar e eu e Ingrid teriamos que sair do Inácio Barbosa e adentrar no Bairro Cirurgia e localizar o Porto da Folha, onde vive DaniHella e sua Márcima Mãe. Caminhada de sete minutos ao Terminal do Distrido Industrial e subimos no baú com rodas indicado por Ivo. Ônibus Hora do Rush, muito cheiro de suor e transporte público e um hippie endredado com seqüelas mentais avançadas conversava com seres do além e se esbarrava naquelas pessoas que ali se encontravam. Alguns minutos de distração e um rapaz bondoso nos indica a Praça da Bandeira, que seria a nossa parada. A Praça da Bandeira situada no Bairro Cirurgia em Aracaju possui árvores enormes e algumas banquinhas de revistas e seus banquinhos são de pedra e possuem pinturas de marca de refrigerante. Sob aquelas copas enormes e um sol de rachar os lábios errei a direção, ainda havia confusão enquanto qual o sentido levava ao Porto das Folhas. O ritmo frenético dos automóveis sobre o cruzamento de asfalto dificultava o raciocínio e andamos em círculos até Ingrid perder o humor e então pedimos ajuda do telefone público que entrou em contato com DaniHella que nos facilitou a direção.

E então com suor por todo o corpo chegamos à residência Rodrigues e fomos servidos com um banquete daqueles que Aracaju faz por você. Dificilmente um pós-almoço supera as ondas sonoras emitidas pelas caixas de som daquele quarto e então nos empanturramos de Husker Du sem citar o fenômeno francês Jordy. Bastante “wôcopinoma” e fomos passear pelo bairro. Daniela, Ingrid e eu, visitamos alguns amigos através da fibra ótica e da tela de vidro, mandamos recados em formato de caracteres e depois efetuamos uma pequena compra em mais uma vídeo-locadora falida. Bom estoque e precinho de banana. Com passos mais apressados nos dirigimos na direção contrária doRecanto das Rodrigues, iríamos assistir a um ensaio da Karne Krua, uma das mais antigas bandas punk de Sergipe, mas para creditar nosso desapego com os ponteiros mal andamos 50 metros e Ivo, baixista da banda já voltava do ensaio com sua bicicleta. Ensaio terminado e continuamos com os passos no nível dois, sentido Recanto das Rodrigues.

Sentamos, engolimos alguns sanduíches e suco de goiaba e esperamos Breno, o Cara Moreno. Em seu carro negro ele nos leva à Rua da Cultura. Todas as segundas feiras no Mercado Municipal de Aracaju acontece um evento que oferece uma opção de lazer a comunidade de forma gratuita, oferecendo acesso a teatro, música, dança, poesia, artes plásticas e outras manifestações artísticas e folclóricas. E um dos atrativos daquela noite era um paredão para as pessoas escalarem, entrei na fila com alguns garotos sem sandália e sujos de graxa e escalei aquela parede com pedras grudadas.

Do meio da penumbra surge Cachorrão e sua bicicleta para alegrar nossa noite e então ficamos soltando palavras ao vento sentados numa calçada repleta de baratas transeuntes. Algo curioso e quase inevitável é sempre que têm alguma meia dúzia de vegetarianos juntos o assunto sempre acaba em culinária e já faziam dias que imagens de sorvetes de Manga e Açaí martelavam nossos olhos. E abandonamos o âmbito do pensamento e deixamos a Rua da Cultura no automóvel negro de Brendom em direção a Bomboniere, sorveteria que o sorvete de Manga deixa até fiapos entre os dentes, essa era a promessa. Velocímetro ascendente, sinais vermelhos violados na madrugada, pouca vida na rua e demos de cara com portas de metal até o chão. Bomboniere fechada e o sorvete volta a habitar apenas o nosso pensamento guloso.


PLOF! PLOF! Eram os últimos sons que a colher de sorvete fazia antes que os olhos cerrassem.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Trovão Tropical

Aracaju - Sergipe

13° | Dia

Assim como os outros, aquele era um dia especial e o que tornava esse dia especial é que iríamos presenciar uma gravação dos Renegades of Punk e nos deslocamos até a casa de Luís Antônio para constatar a categoria multifacetada do ser nascido e criado na terra do beta caroteno em excesso. Em Aracaju as pessoas foram educadas para se especializarem de maneira eficaz em vários setores e desde criança comem muito beta caroteno, já devo ter citado isso numa outra ocasião, mas preciso lembrar. Sabe as gravações das bandas de Aracaju? Triste Fim de Rosilene, XReverX, Renegades of Punk, e continuando... são feitas em home-studios no quartinho de dormir dos próprios integrantes. Dessa vez Luís que estava pondo a prova seus dotes como músico e engenheiro de som. A gravação demorou a tarde inteira. Luís com o baixo e Dani com sua guitarra fizeram tudo estremecer.

Depois de zonzos de tanto punk rock em bom volume fomos ficar ainda mais doidôes na residência de Brendons, onde comemos muitos sanduiches com vários legumes, batatas e maionese caseira feita pelo Brendons e assistimos ao Tropic Thunder.


Sono era nosso nome e a Caverna do Ivo seria nossa brigada.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Primeiro dia na terra do beta-caroteno

Aracaju - Sergipe

12° | Dia

Depois de alguns anos retornando a Aracaju fica um sentimento de lar quando chego. Tipo o filho pródigo voltando a casa. Alí estávamos de volta ao quarto de Ivo. Ingrid estava ali pela primeira vez, mas já foi tratada como parte da turma e de fato todos estávamos na mesma gangue. Passamos o dia pondo o falatório em dia no bairro Inácio Barbosa e então pegamos um ônibus coletivo municipal em direção ao Bairro Cirurgia para a casa de Daniela e lá ela estava com Paula tocando as músicas das Jezebels, dentro de instantes elas teriam um ensaio que foi de sete até as oito horas.


E o trunfo da noite nos chamava, Naurêa, Charlie Brown Júnior e Manu Chao de graça na praia da Atalaia, então colocamos nossas vestimentas adequadas para essa ocasião e fomos no automóvel vermelho de Luís Antônio. O carro foi estacionado dentro de uma casa muito louca, tipo Barrados no Baile com aquelas criaturas humanas jovens e loiras dançando tentando seduzir e acasalar outras criaturas humanas jovens e loiras, todos bêbados e com roupas de etiqueta. Aqueles seres estavam cobrando R$ 5,00 pelo estacionamento e ali estavam dezenas de carros, visto que eles tinham uma enorme casa. Demos alguns passos e lá fora toda aquela gente vestida de mil maneiras diferentes e pessoas de todas as etnias e classes diferentes nos fez achar que haviamos viajado quilômetros daquela casa SOS Malibu até a praia de Atalaia. Mas apenas um muro dividia esses dois mundos tão distintos. E todos estavam com seus olhos abertos e procurando seus respectivos estimulantes pela mesma razão, música, adrenalina, testosterona e azaração. A praia estava lotada, quando chegamos e as cabeças balançavam sem parar. A banda sergipana Naurêa estava na metade de um show fatigante de quase três horas de batucada e música regional. Lembrei-me imediatamente de Recife e aquelas roupas comuns entre os acadêmicos da área de humanas. O legal foi que Iure o irmão novo mais velho de Aquino estava junto, além de Breno que também nos encontrou pela orla. E com Iure pude expandir meu leque de danças exóticas com o super passo de bêbado de seu pai. As mãos vão para um lado e para o outro, e os quadris se mechem com as pernas ligeiramente abertas. Era a promessa de sensação para os dias que viriam na Aruana.


Charlie Brown Júnior fez um show hilário e impressionante ao mesmo tempo. Acho que aquele Marginal Alado é o rei da Malacolândia. O pessoal pirou o cabeção com seus refrôes e algumas horas eles pareciam cantar do fundo de suas almas, colocavam para fora todo o sentimento que era sufocado em seu interior. Cada música mais emocionante do que a outra, desde a mais antiga até a mais hit parade. “Tcharroladrão!” Chorão é o rei de algum mundo nesse mundo. “Não deixe o mar te engolir”.


Manu Chao foi tipo um coelho por lebre, como não acompanhávamos a carreira daquele rapaz de pouca estatura e muita idade com a foz fanha, achávamos que teriamos um show de uma mistura de reggae com música latina. Para a nossa surpresa o baterista parecia apressado e em todas as músicas ele puchava um 1 por 1 estilo hardcore, o baixista fazia “UH”, o guitarra girava seus braços e Manu dava seus saltos no centro do palco. Muita energia mas que por estar sempre repetida a mesma cena, parecia que estavam tocando a mesma música o show inteiro. Usaram a mesma fórmula em todas as canções e não suportamos ver o show inteiro que demorou algo próximo ou passando das duas horas de duração.


Voltamos para a orla, comemos umas pipocas e batatas óleo cheias de fritas e entramos em Dawson's Creek para resgatar o carro vermelho de Luíz Antônio que nos levou até a residência dos Delmondes onde dormimos naquela badalada noite.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Um estranho no caminho

João Pessoa – Paraíba | Aracajú - Sergipe
11º | Dia
De pé às quatro horas e trinta e um minutos e prontos para enfrentar um possível árduo dia na estrada. Ingrid acordou poucos momentos depois, comemos polenta e deixamos um bilhete de gratidão para aqueles integrantes da gangue dos Patos. Iríamos deixar João Pessoa e tentaríamos chegar a Maceió e caso a sorte não estivesse do nosso lado ficaríamos em Recife. O plano no começo era parar nas duas cidades, mas nosso relógio já nos apressava e tínhamos compromissos a serem cumpridos em Aracaju então tínhamos obrigação de percorrer muitos quilômetros naquele dia. Sentamos no ponto de ônibus às cinco horas e doze minutos e por infelicidade esperamos quase uma hora até subirmos no ônibus para nos deslocar até a BR-101. Essa mesma condução demorou mais de uma hora circulando pelas ruas de João Pessoa até chegar a BR.

Começamos muito mal o dia que nada podia dar errado, pois o tempo era nosso inimigo. O primeiro carro que teve a gentileza de parar para pessoas desajeitadas como nós foi um adesivado da Justiça Federal, mas o cara além de não ter ligação nenhuma com a justiça era um desses pilantras que fazem lotação com suas placas cinza. Então de pilantra para pilantra consegui cinqüenta por cento de desconto e nossa única escolha foi pagar a quantia de R$ 5,00. O ponto positivo dessa parte da estória meus amigos é que ele nos deixou em Goiana/PE que é a metade do caminho entre João Pessoa e Recife. Então além de uma saborosa economia de dinheiro estávamos recuperando o tempo perdido no inicio da manhã e deixando para trás muitas milhas.

Despejados na BR-101 sem Carol o nosso amuleto da sorte talvez fosse uma missão mais difícil chamar a atenção dos transeuntes com volante. Mas nossa cara de carona e minhas camisas com listras e quadrados cativaram Eduardo, um jovem caminhoneiro que transportava areia branca para Recife. Eduardo é um recifense contador de estórias engraçadas e muito conversador. E no dia em que nada podia dar errado ouvimos da boca daquele jovem caminhoneiro uma remota possibilidade que surpreendeu todos os nossos planos até aquele momento. Ele estava indo deixar aquelas toneladas de areia branca em uma fábrica de cimento e disse que de lá poderia conseguir para a gente uma carona até Maceió ou até Aracajú se possível. Então nem a fome e nem a forte chuva nos abateu naquele momento. Eduardo criou uma estória bonita para contar ao porteiro da fábrica de cimentos e essa mesma estória seria a responsável pela nossa carona até a terra do mosh ou a terra do beta-caroteno. Ele se tornara o irmão de Ingrid e eu o marido dela. Ficamos esperando notícias debaixo de lonas furadas em uma barraquinha de madeira, tipo essas quitandas de beira de estrada. Mastigando paçoquinhas e todo molhados esperamos pouquinho até sermos chamados pelo porteiro que nos direcionou a um caminhão azul escuro.

O caminhão azul escuro era dirigido por José, o estranho. José não conversava, ele não queria conversar e passamos boa parte do caminho com a boca fechada. Aos poucos ele ia falando palavras calculadas, ele queria arrancar algo de nós e logo percebemos que ele estava com medo por não nos conhecer. Só havia deixado à gente entrar no caminhão, pois foi um pedido do porteiro da fábrica que havia dito para ele que iríamos ficar em uma usina de cana-de-açúcar no meio de Alagoas, perto de Maceió. Para não sujarmos a barra de Eduardo, recontamos a estória e com o tempo fomos ganhando a confiança de José que apesar das poucas palavras foi se soltando um pouco. Ele ia nos despejar na BR, pertinho de Maceió, mas com um pouco de diálogo ele resolve nos levar adiante e ganhamos passagem gratuita com visão panorâmica do Pernambuco até Sergipe. Paisagens muito verdes enchiam nossa visão, canaviais, montes e cidades do interior alagoense. Depois a impressionante divisa entre Alagoas e Sergipe sobre a quilométrica ponte sobre o colossal Rio São Francisco. Uma alegria enorme havia tomado de conta e paramos em um posto de gasolina. Macaxeira cozida foi nossa refeição que serviu para três turnos.

Alguns minutos depois, após catarmos dois ônibus coletivos chegamos repentinamente à casa de Ivo Delmondes em Aracajú. Parecia difícil acreditar que havíamos percorrido tantos quilômetros em um só dia de carona. Havia sido nosso recorde. 685 quilômetros em um dia que fomos servidos com um prato cheio de surpresas.

No dia que tudo deu mais certo do que poderia ganhamos abraços apertados de Ivo e Dani, reencontro mais do que super esperado. E já não bastava de tanta surpresa chegam Breno o Maníaco, Alex o forte e Luiz o cheiroso para finalizar aquele brilhante dia com muito rock e Nofx de cabo a rabo. Alex tocou e cantou todas as músicas do Nofx que ousamos lembrar. Depois de amenizadas as saudades com muita conversa e notas musicais, fomos dormir já depois das quatro da madrugada.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Um anel para todos governar

João Pessoa - Paraíba
10º | Dia
Após uma batalha medieval durante toda a madrugada com uma gatinha branca do inferno, acordamos as nove e vinte e três com a péssima notícia de que Carolaine iria nos deixar. Depois de mais de vinte dias de aventuras pelas ruas e pelos litorais do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Slash Flerte Fatal teria vindo de Patos até João Pessoa sob o comando do mal, Sauron Metal o havia enviado para resgatar sua donzela, Carol, o pequeno Hobbit. Nossa esperança de rever Pequeno em Jampa para um rolé monstro por aquela cidade com ele e sua gangue de Patos foi terra-média abaixo. Baixo astral em mais uma despedida dolorosa e Slash se vai cumprindo sua missão. Agora o trio, antes quarteto estava voltando a se transformar em dupla.

Mas não havíamos sido jogados fora, estávamos dividindo o espaço com o casal cabelo louco. Eu e Henrique Cabelo Louco formamos uma bela dupla na cozinha, eu com macarrão e ele com o Angu, que foi nossa refeição em dose dupla.

O fim da noite foi na Praça da Paz no Bairro Bancários. Muita criança correndo em todas as direções, o que significa que vimos muitos tombos e crianças brincando de briga. Henrique havia trazido seu violão de sua casa para compartilharmos aquela noite em meio a acordes. Tocamos nossas músicas punks e tortas e ele tocou música clássica. No Apartamento de Gabi tivemos nossos últimos momentos na companhia desses três adoráveis patoenses que nos abrigaram nessa terra rodeada de árvores e praias. É hora de dormir.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Deus criou a scania e o diabo criou o volvo!

Campina Grande - Paraíba | João Pessoa - Paraíba
9º | Dia
Manhã muito fria em Campina Grande, a mais fria do passeio até aqui. O despertador começou a buzinar nossos ouvidos às 5 horas e insistiu até nos levantarmos às 5 horas e 20 minutos. Recolocando a bagagem nas costas e enchendo nossas garrafinhas de água, deixamos a casa de Carol às 5 horas e cinqüenta e três minutos em sentido ao terminal de integração que nos deixou em um local barra pesada próximo a uns bairros com fama sombria. Mas isso não foi nenhum problema, pois antes que conseguíssemos colocar as nossas bagagens no chão, Carol e sua simpatia descolaram para nós três a carona de Claudinho, um campinense boa praça que estava indo em direção a Galante, onde ele estava construindo um lava-jato e nos deixou no caminho logo depois do posto da Manzuá em Massaranduba. Naquele ponto seria mais fácil sermos presenteados com um motorista de bom coração. Manzuá é um tipo de policial de trânsito existente na Paraíba que pede mais um real do que flanelinha. São famosos pela propina rodoviária além de serem antipáticos e sem graça.

Voltando para a estória, Carol e sua simpatia mais uma vez triun
faram e chamaram a atenção do bem-feitor mais legal de todos. João do Caminhão em sua Scania bitrem com 400 cavalos de potência. Vindo de Florianópolis para deixar nossa manhã mais confortável em seu super caminhão rodeado de acolchoados. João é jornalista e caminhoneiro, em um passado bem próximo João trabalhava como câmera-man para a Rede Globo de Comunicação, inclusive já gravou um programa que eu costumava assistir quando criança, o Globo Ecologia. Mostrou-nos fotos de sua família e de seu grande amor que parece ser um york-shire. Paramos em um posto de gasolina logo na entrada de João Pessoa, pertinho do apartamento de Gabi, desviando a rota do caminhão nos despedimos de João.

Nesse posto de gasolina fomos apanhados por Henrique, natural de Patos e residente em João Pessoa que nos carregou em cinco minutos de caminhada até a residência de Gabi que seria nossa fortaleza em João Pessoa. Henrique tem um cabelo muito doido que é parecido com o de Gabi, que é sua namorada, mas parece que é sua irmã. Ela divide o apartamento com Juliana que é sua irmã, mas não parece e ambas também são naturais de Patos. João Pessoa é a capital da Paraíba e possui um ar gostoso de ser respirado. Vento fresco na cara em uma das cidades mais verdes da américa latina com ruas bastante arborizadas e rodeada de mata-atlântica protegida severamente pelos órgãos governamentais.

Engolimos algumas bolachas e corremos para a praia. Catamos um ônibus coletivo e descemos em Tambaú, uma das praias mais movimentadas da cidade. O mar é calmo, mas a areia não. É repleta de quiosques barracas, tem feira de artesanato e calçadão para corridas e caminhadas. Só que estávamos no trecho mais calmo de Tambaú, já na divisa com a praia de Cabo Branco que foi para onde caminhamos e nos deparamos com uma faixa de areia mais larga e caímos no mar na companhia de um saudoso sol de verão ao meio-dia. Muito nado e guerra de sargaço, seguido de uma degustação primorosa de pão francês e amendoim torrado.

De volta aos aposentos dos cabelos malucos descansamos, jantamos e partimos para o Bar do Elvis, um coroa roqueiro dono de um bar com sinuca muito rock and roll, já famoso pelos roqueiros pessoenses e os gaseadores de aula da UFPB. Jogamos algumas partidas de sinuca e ouvimos muito rock, jovem guarda e sucessos internacionais. Depois de muita cachaça goela adentro, chegando a casa todos despencaram.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Rumo à terra dos batedores de carteira

Patos - Paraíba | Campina Grande - Paraíba
8º | Dia
Deixamos o centro de Patos ás seis horas e vinte e um minutos da manhã, estávamos nos despedindo de Pequeno e logo mais iríamos nos reencontrar com Carol em Campina Grande, eu Ingrid iríamos tentar a sorte grande na rodovia e Carolaine iria na Topic do véi. Pegamos moto-táxi até o Posto do Tigrão e em poucos minutos fomos surpreendidos por uma concorrência desleal, duas Suicide Girls e um travesti com 2 metros de altura. Com suas roupas extravagantes, pouco tecido, minissaia e danças sensuais não demoraram dois pontinhos e eles pegaram uma carona com um Chevette desbotado.

O mais triste da estória é que eu e Ingrid só estávamos com R$ 1,00 no bolso, ou seja, R$ 0,50 para cada e era a hora da fome matinal. Confiantes de que chegaríamos logo de manhã a Campina Grande, não nos preocupamos muito com uma reserva econômica para a travessia Patos-Campina Grande. E só quatro horas depois, às 10h21min da manhã é que conseguimos chamar a atenção de um cara chato de cabelo lambido, mas que nos levou até nosso destino, pena que demorou cinco séculos, pois era um carro de linha que parou em cada esquina da rodovia, o fato inusitado dessa viagem foi que tivemos o prazer de dividir os assentos daquele transporte com o simpático seresteiro de Patos Zé Quirino que nos presenteou com seu disco. Só chegamos aos braços de Carol depois de uma da tarde.



Deixando lado esse pequeno pedaço chato de nosso trajeto, fim da manhã mais chata de todas e início de uma bela tarde em Campina Grande, perto do Parque do Povo no apartamento pré-colonial e muito ventilado de Carol. Campina Grande é uma cidade

com um clima muito agradável e repleta de estudantes universitários e batedores de carteira por todos os lados. Muitas indústrias e uma péssima comparada a Recife só que em miniatura. distribuição espacial e dos meios de produção fez com que essa cidade do interior paraibano fosse

No fim da tarde conhecemos o jovem filósofo Júnior e fomos ao centro em uma expedição de negócios e comer churros, no centro da cidade tem uma Towner que vende

churros de vários sabores e entre eles três livres de franguinhos e eu provei os três, goiaba, banana e morango. O de banana é aceleradamente o melhor entre os três. Depois de devorarmos os churros voltamos para a residência do Pequeno Hobbit, conhecemos sua amiga Lígia e nos separamos. Ingrid e Carol ficaram no apartamento, Júnior foi para a Universidade Estadual, Lígia foi para seu lar e eu fui visitar minha família residente em Campina, meus tios e minha irmã. Comi um sanduíche e tomei leite de soja com minha tia e conversamos sobre expedições nacionais e como as pessoas se relacionam em cada região do Brasil. Ouvi muitos conselhos de quem já passou por todos os cantos do país e minha irmã me presenteou com um perfuminho de bebê e creminho de pentear de abacate. Ingrid ganhou um casaco com listras. Reencontrei Ingrid e Carol no fim da noite na praça dos morgados, aonde os estudantes que gaseam aula vão à fria noite campinense. Tomamos suco de manga, comemos salada de frutas, nos despedimos de Snarf e Ligia e era o fim da noite.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Últimos Momentos na Cidade dos Nerd Bangers

Patos - Paraíba
7° dia |

Em nosso último dia pela cidade dos ‘nerd bangers’ demos alguns passeios noturnos, fomos à sorveteria, a casa de Carol e também presenciamos mais um fato pitoresco envolvendo os habitantes de Patos e a cachaça. Uma garotinha dirigia-se a sua casa carregando sacolas de comida, o que nos fez concluir que ela vinha de alguma bodega, porém foi impedida de entrar em casa pela sua vovó, que estava embriagada na calçada e disse que a sua netinha só entraria em casa com o litro. A criança insistiu, mas sua vovozinha não cedeu e com cigarro na mão e um copo vazio resistiu e disse que não queria saber de nada só do litro. Saímos da rua onde ocorreu a situação e a criança continuou na calçada.


E agora, metade da madrugada, ouvindo Wipers, pensando no mundo todo e em todo mundo. Com o coração na mão em ter que sair de perto de Pequeno que nos cobriu de muito carinho por todos esses dias, desde sua ida a Mossoró onde nos acompanhou até Fortaleza e Cristovão até aqui em Patos. Slash o flerte-fatal e Thiago o Nerd estão na cozinha nesse momento com Pequeno preparando uma janta brutal e Ingrid dorme. Amanhã voltaremos para a estrada, nos afastaremos do sertão rumo ao litoral. Carregaremos de Patos muitas energias negativas de tanto Black metal nos ouvidos. Como prometido aqui vai à lista dos filmes vistos nesses oito dias de Centro de Entretenimento Necro Cult:


Arrombada: Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo (2007)


Réquiem para um Sonho (2000)


O Bom, o Mau e o Bizarro (2008)


A Invasora (2007)


O Trem da Carnificina da Meia-Noite (2008)


Meu Pai e Meu Filho (2005)


O Sinal (2008)


O Lutador (2008)


Alta Tensão (2003)


Medo (2003)


O Balconista II (2006)


Seguimos na estrada Carol, Ingrid e eu. Hoje foi o último baião de dois, o último filme no Calabouço de Sauron e aqui finalizo a última postagem em Patos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Hércules, Helena e o nado-livre

Patos - Paraíba
6° dia |
Mais espíritos, pipoca e baião de dois. Após algumas voltas pela praça central e passeios notívagos, finalmente ficamos fora do quarto de Pequeno por mais de três horas consecutivas, o fato é que por insistência de Carol, Ingrid e minha, Pequeno cedeu e trocou uma tarde com dois filmes e ventilador por uma árdua pedalada até o Açude Jatobá.

Dia 07 de fevereiro, tarde de sábado. Conseguimos duas bicicletas emprestadas, a de Vinícius, irmão da Carol e de Evanes, tia de Pequeno que todos os dias faz exercício em sua bicicleta, porém naquele dia não iria fazer, pois Pequeno a tomou a bicicleta emprestada sem avisar. Então eramos quatro pessoas para dividirem duas bicicletas, Carol foi no quadro de Pequeno e Ingrid no meu, tudo resolvido. O caminho era asfaltado em sua maioria, mas como sábado a tarde é sábado a tarde, as ruas estavam tomadas por pessoas, era a primeira vez que viamos muitas pessoas em Patos e vimos também uma lista de outros animais a não ser cachorro, gato e pessoas. Eram galinhas, vacas, cavalos, jumentos e se não me falha a memória eu vi um pato, não tenho certeza mas acho ter visto um pato. Sabe aqueles documentários da Discovery Channel em que mostra aquelas ruas super caóticas de países em desenvolvimento da áfrica com pessoas atravessando as ruas com super caixas sobre suas cabeças, caminhões pelas ruas tomados por mercadorias e pessoas, crianças peladas correndo e bicicletas, carros e motos cruzando as ruas de um lado para outro quase se tocando e fazendo muita poeira subir pelo ar. E foi por esse enxame de fenômenos que atravessamos montados em nossas bicicletas.


Dentro de menos de trinta minutos, muito suor derramado e uma vasta apreciação da periferia de Patos, chegamos a nosso destino. Açude Jatobá, represamento de água doce que abastece a cidade de Patos. O solo da região é basicamente composto por rochas cristalinas, o que contribui para o açude permanecer cheio o ano inteiro. Além de água o Açude Jatobá estava cheio de pessoas que naquela ocasião foram até ele usufruir o seu potencial hídrico e fazer de seu sábado um dia mais feliz, então levaram seus utensílios para diversão em passeios aquáticos, din-din, cachaça e bikinis. Pessoas de todas as cores e tamanhos, crianças fumando e uma gangue de adolescentes e crianças extrapolando sua energia em saltos ornamentais da casinha das abelhas que é uma espécie de píer que penetra o Açude Jatobá aproximadamente 25 metros e naquele dia estava a uns 15 metros de altura entre seu topo e as águas do Jatobá. Nos deliciamos naquelas águas mornas, nado-livre no sertão paraibano em nosso primeiro momento de fuga parcial da Babilônia. De peitos para o ar permanecemos por algum tempo nadando com as piabas e após isso nos dirigimos a ponte que dá acesso a casa das abelhas. Uma de minhas maiores tentações é ver uma base sólida sobre alguns palmos de água, tentação essa que foi aguçada graças aos belíssimos saltos que os nativos estavam a efetuar. Cheguei um pouco tímido, pois eles eram muitos e pareciam se conhecer muito bem desde anos de mergulho e convivência, demonstravam um certo entrosamento em seus saltos e maneira de se mover naquele píer com pouco mais de 1 metro de largura, mas minha timidez não demorou um minuto e logo corri e saltei de cabeça no Jatobá e aquela gangue juvenil gritava, “Jesus! Jesus!”. Um dos saltos mais comuns que existe é aquele em que o ser humano projeta-se em direção a água com os pés para o ar e cabeça para baixo entre os braços completamente estendidos, fazendo uma espécie de flecha e por esse motivo os patoenses chamam esse pulo de flecheiro. Só foi preciso um flecheiro para ganhar a simpatia de Hércules, um homem em miniatura, um hobbit negro que se dirigiu para mim nadando e falou:
- Te desafio!
Claro que eu entendi o que ele quis dizer, mas foi tão de supetão que me pegou de surpresa e fiquei confuso. Então perguntei:
- Como?
E ele retrucou:
-Te desafio!
- Como assim?
- Eu dou um pulo e você tenta me superar.
Eu já sabia que ali estava assinando meu atestado de óbito, mas um dia antes eu havia assistido “O Lutador” e nem deu tempo de pensar na vida e nem no perigo que ela corria e também de supetão respondi.
- Feito.
Dali em diante todas as atenções se voltaram ao pequeno Hércules que se dirigia ao píer com seu passo de classe. Eu não saberia descrever aqui o movimento exato daquela pirueta executada por ele. Se aquele salto tivesse um nome ele seria, A Giroleta. Ele ficou de costas para a água e simplesmente se deixou levar pela gravidade e no meio do caminho fazia uma espécie de folha seca e seus pés trocavam de lugar com sua cabeça e antes de chegar na água, ou seja em e segundo ele executava no mínimo quarenta e sete movimentos. Eu podia ouvir aplausos vindos de todas as partes do sertão. Eu precisaria me mudar para Patos e fazer um treinamento intensivo para em dois anos concluir aquele salto. Mas eu já estava diante do inferno então precisava abraçar a besta. Corri e nada mais fiz que um flecheiro com heavy metal nas mãos e gritei:
-Gorgoroth!
A beleza deu lugar ao cômico então não perdi a moral nem a chance de aprender um pouco com o pequeno Hércules, que ajudei a subir na casinha que fica na ponta do píer, aumentando em mais de dois metros a altura do salto. De lá demos mais algumas piruetas, aprendi o pulo da sereia, nos despedimos da Gangue do Mergulho da Paraíba e finalmente voltamos para casa. Montados nas bicicletas e fazendo o caminho oposto. Assaltamos a despensa de Carol, pegamos granola, açaí e banana. De volta ao Calabouço de Sauron, unimos todos os ingredientes no liquidificados junto a outros componentes mágicos e tomamos cada gole para revitalizar as energias. Mais voltas pelas ruas de Patos e a noite foi concluída com a edição do ‘Algaroba Holocausto’, filmagem que fizemos juntos há um ano atrás, em fevereiro de 2008 no Sítio Ypiranga na cidade de São Vicente. Em mais de 3 horas de edição e só concluímos um minuto de vídeo, graças à tecnologia contra nós e o Movie Maker travando a todo o momento a edição está paralisada.





Dia 08 de fevereiro, tarde de domingo. O sábado e o domingo haviam se confundido, fomos dormir já de manhâ lutando com o editor de vídeo então acordamos bem tarde e Carol e Helena nos esperavam para nos levar ao Espinho Branco, então rapidamente nos aprontamos, Ingrid aprontou uma macarronada com asteróide deliciosa e seguimos em caminhada para a casa das garotas. O Espinho Branco é um complexo natural distante alguns quilômetros, mas nada que uma caminhada de uma hora em um bom ritmo não supere. No meio do caminho havia uma poça de água com esgoto enorme e não daria para passarmos e quase que nossos planos iam por água abaixo de maneira literal. Mas como bons caroneiros, esperamos menos de cinco minutos e uma pick-up da empresa de energia local parou e além de nos atravessar pelo poço nos deu uma ótima adiantada de caminho levando-nos para perto do nosso alvo. A estrada era de areia com muitas pedras de fogo e parecíamos estar em um túnel, pois dos dois lados estávamos cercados por arbustos e Helena como uma louca saiu como uma louca por entre os arbustos do caminho. O sol já estava perto de se pôr quando chegamos lá, o Espinho Branco é um inselberg branquinho que esculpe bem o coração do sertão da Paraíba com águas mornas ao seu redor, que se liga ao Jatobá e também fornece água para a população patoense. Nadamos muito e dessa vez com a cachorrinha Helena arranhando nossos corpos. A água parecia que havia saído de um chuveiro elétrico configurado em alta temperatura, foi um banho Charles Bronson. Mal vimos o tempo passar e logo a lua cheia era refletida ao nosso lado naquelas águas já escuras como a noite. O nosso astro, refletor natural nos guiou por entre os arbustos e como numa loteria o carro da empresa de energia local estava voltando de seu serviço exatamente no momento que trafegávamos o túnel de pedra e areia, então mais uma vez parou para nos prestar caridade e subimos os cinco, Ingrid, Carol, Pequeno, Helena e eu. Cruzamos toda a estrada e atravessamos a poça de água e esgoto nos levando de volta a civilização para perto das ruas de pedra e pedra.

Então fomos para mais uma noite em direção ao Calabouço de Sauron abraçar mais horas de pipocas, baganas, espíritos e assassinos dementes, só que dessa vez na companhia de Slash o flerte-fatal e Thiago o Nerd.






E acaba mais um dia na cidade dos metaleiros com visual de caça as cabritinhas.

PS: O blog agora será escrito com parágrafos graças à sugestão de Macarrão. Assim facilita a leitura e fica mais bonito.